sábado



Sofri um arrebatamento intelectual...
Tenho que confessar que fico abismada com a qualidade de vários poemas de Paulo Leminski, talvez porque estivesse presa a muitas leituras infinitas, não tinha me dado conta da capacidade criativa desse autor. Infelizmente, não conheço ainda a obra poética dele a fundo, mas pela pequena amostragem a que estou tento acesso já me fez considerá-lo no time dos grandes... Os títulos de seus livros já são uma hipnose, como por exemplo, o livro intitulado Distraídos Venceremos uma paródia a Unidos Venceremos , ditado que é usado por grupos que reivindicam alguma coisa, aliás aos poucos conforme lemos a obra do curitibano notamos que quando ele resolve comentar sobre ser engajado, percebemos uma grande discrença em associações de qualquer espécie: síndicatos, associações, ou ainda, em ser positivo com o nosso país no sentido de ser politizado ou de tentar ser positivista com o país depois da grande mácula causada por uma ditadura militar:

MEU EU BRASILEIRO quisera pode pensar como se faz no velho mundo eles me querem espelho como se não tivesse mistério essa minha falta de asunto.

( Do livro: O ex-estranho)

Depois de vinte anos de regressão no país, Leminski deixa muito claro a sua adesão ao não comprometimento com questões políticas e se alinha a uma tendência de nossa literatura brasileira contemporânea que tem como disposição em se preocupar só consigo e que a partir daí conseguiria mudar a vida de alguns, que depois transmitiriam a outros alguns alcançado um número grande de pessoas....

Mas essa é só uma das diversas temáticas presentes na obra do Paulo....

Alegria pra nós leitores ... da possibilidade de romper o tédio e ainda se supreender com alguma coisa.




Um comentário:

Juliane Nascimento disse...

Luzia, bem-vinda ao mundo dos blogs.
Sobre essa sua primeira produção, quero acrescentar minha sensação, sim, sensação, sobre o Leminski. Gosto porque ele encadeia as palavras buscando, muitas vezes, dar novos siginificados a elas, cheias de frescor e, por incrível que pareça, nas minhas pobres tentativas, procuro fazer o mesmo.
Essa semana até peguei dois livros dele na biblioteca e comprei um do Arnaldo Antunes, também muuuito bom, mas ele, linguísta, tenta mostrar, quase por todo tempo, a ausência de sentido da palavra.
Enfim, gostei da sua crítica, da sua proposta e por você ter começado com o Leminski e não com o Drummond, afinal nosso produtor de Haikais é muuuuuito mais descolado. Você tem talento para isso, tanto que me deve aquela conversa sobre os meus poemas juvenis e precisa ainda ser apresentada a minha produção séria de prosa.
Até!